Analisando cada item da cena redes de Koyaanisqatsi foi possível compreender a devida transformação que uma trilha sonora pode provocar em um filme. Mudando e interferindo em todo o decorrer do filme gerando um caráter apreciativo imaginável, para o filme Um Homem com uma câmera a cena do capítulo quatro estabelece um parâmetro musical forte, do qual a concepção está voltada a interpretação de cada espectador variando assim os seus conceitos e familiaridades com o filme.

Koyaanisqatsi estabelece um sincronismo com a trilha sonora diferentemente de Um homem com uma câmera que apresenta uma quebra de musical ao analisarmos a sua relação ao visual. Cada filme apresenta-se uma linguagem muito similar à outra, eles entram em contextos humanos e apresentação – se de forma não explicativa, mas sim indutiva. Reggio e Phillip Glass (Koyaanisqatsi) apresentam uma composição eficaz ao trabalhar a imagem e sua representação sonora indutiva, como uma complementação caminhando a um mesmo nível de significados a se apreciar enquanto Vertov (Um Homem com uma câmera) se utiliza de uma composição mais dialética aos olhos do espectador acrescentando a cada corte de imagem uma frase musical totalmente inesperada dando um caráter adicional às imagens podendo elas falar por si próprias ou a sua música transmitir diversas possibilidades de significados.

Vale lembrar que cada filme apresenta uma classificação sonora e visual particular e a cada novo olhar a respeito do mesmo pode gerar um novo contexto que não estamos habituados a ver. Devemos apreciar cada filme por seu contexto de realização e referencial de idéia ao qual o diretor se dispôs a apresentar no seu material audiovisual não julgando qual dos dois deverá ser empolgante ou provocante.